Skypiea Análises

Skypiea: o arco que o pessoal pula e que sustenta metade do mistério

Quatrocentos anos de disputa por terra, um explorador condenado por dizer a verdade e uma pista deixada pela tripulação de Roger.

Retrato autoral de Enel
Ilustração de Enel

Introdução

Skypiea tem fama de arco chato. Entendo a reclamação: a tripulação sobe numa coluna de água, passa uma penca de capítulos perdida numa floresta e briga com um sujeito que se apresenta como Deus.

Só que é ali que a série mostra pela primeira vez o que acontece quando alguém tenta apagar uma cidade da memória do mundo e falha por causa de um sino.

Montblanc Noland, condenado por contar a verdade

Quatrocentos anos antes, um explorador do North Blue encontrou uma cidade de ouro e voltou para contar. O rei foi conferir, não achou nada, e Noland morreu com fama de mentiroso que atravessou gerações da própria família.

O detalhe cruel é que ele estava certo. A ilha subiu junto com um Knock Up Stream e foi parar no céu, defesa que nenhum tribunal do mundo aceitaria.

Montblanc Cricket herdou o sobrenome e a piada. Passou a vida mergulhando em Jaya para provar algo que ninguém pediu para ser provado, e é por isso que a reação dele no fim do arco vale mais que a luta inteira.

Shandia e Skypieanos: uma guerra sem vilão

Os Shandia tentavam recuperar a terra ancestral tomada após sua chegada ao céu. Para os habitantes de Skypiea, o solo era um recurso raro. Essa diferença explica o conflito, sem tornar equivalentes a expulsão de um povo e o desejo de ocupar suas terras.

Gan Fall é o tipo de personagem que a obra usa bem e pouco: um governante que perdeu o posto para Enel e continuou fazendo serviço de médico e de guarda porque não havia mais ninguém disposto a fazer.

Enel governava por audição

A Goro Goro no Mi dá eletricidade, e o Mantra dá a Enel a capacidade de ouvir tudo que se move na ilha. Ele não precisava vigiar ninguém. Bastava deixar claro que ouvia.

Foi assim que a população da ilha encolheu, com testes de sobrevivência e execuções distribuídas como norma administrativa. E foi assim que ele perdeu: borracha não conduz corrente, e nenhum grau de audição resolve esse problema.

A mensagem que já estava lá

Robin encontra, junto ao Poneglyph do sino, uma mensagem em nome de Roger. O passado mostrado em Wano esclarece que Oden gravou a inscrição a pedido dele. Ouvir a Voz de Todas as Coisas não torna Roger automaticamente um leitor da escrita antiga.

A mensagem soma uma nova pista às pedras que já tinham aparecido, como a de Alabasta: a tripulação de Roger passou por ali e conectou aquele registro ao restante da viagem.

O sino resolve o que a luta não resolve

Luffy toca o sino de ouro de Shandora, e o som desce até Jaya. Cricket ouve. Os Shandia ouvem o sinal de que a cidade deles continua existindo.

Kalgara e Noland tinham combinado exatamente isso quatro séculos antes, para quando um dos dois voltasse. Nenhum dos dois voltou. O som chegou de qualquer jeito, por acidente, tocado por alguém que nunca soube da promessa.

Fontes e referências

Preferências de privacidade

Você pode alterar estas opções a qualquer momento. Serviços necessários permanecem ativos para segurança e funcionamento do site.